| História de Trancoso |
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| Por Randolfo Calenda | |
| 13 de março de 2008 | |
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Desde a origem um lugar excepcional, não só do ponto de vista geográfico, pois era do alto do morro que os índios podiam vigiar toda a vasta costa, como também reconhecido local de poderosas forças, escolhido pelos xamãs das várias tribos que por aqui viviam para realizarem suas feitiçarias em grandes rituais coletivos. Isso antes que se tornasse a distante “Aldeia São João dos Índios,” missão jesuítica, fundada em 1586.
De aldeia a vila, de vila a comarca, os séculos se passaram fazendo da terra dos índios o chão de nativos caboclos que viviam de pequenas plantações em suas roças, depois transformada no tempo em ponto de eterno retorno para muitos viajantes que aqui chegaram anos 70, trazendo na mochila uma nova visão de mundo. Os hippies mudaram a cultura local, tirando o povoado de seu sono ancestral para transformá-lo em meca de descolados de muitas latitudes, mesclando o tradicional e o moderno, sem perder jamais sua forte tradição nativa, revigorada a cada ano nas festanças de São Sebastião (20 de Janeiro) e São Braz (3 de Fevereiro), quando velhos e novos se reúnem para assoprar a brasa da memória, enredando a multidão na torrente de cantorias que atravessam noites e parecem não acabar nunca: “...cabo de madeira, quem me dá essa viola não me dá outra mais não/ chorei/ Toda vez que me alembrava, chorava...” Um mantra coletivo do qual não se quer mais sair e para o qual sempre se volta – a cada ano a mesma festa -- com energia renovada.
E continua sendo ali, naquele mesmo lugar de onde os índios vigiavam a vasta costa e de onde também os portugueses o tomaram como seu melhor ponto de observação, no mesmo mirante atrás da igreja, onde hoje todos vigiam como anda a maré - tendo sempre por perto o som de um berimbau para lembrar que aqui tem capoeira, tem raiz, tem tradição.
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História de Trancoso 

